sábado, 2 de maio de 2009

Em voltas de mim

O muro espinhoso que dividia um coração amargo partiu-se em dois e a estrada, semi-formada, poderá indicar um novo caminho a seguir, onde as entrelinhas do chão seco ainda estão suspensas. O sufocante ar da noite pesa em meus pulmões cansados: respirar é uma alternativa. O velho caminho, que já conheço, parece um universo embassado em cores múltiplas. Meu livre coração carrega marcas do muro espinhoso e sente-se preso pelas dúvidas crescentes: é preciso fazer escolhas. Enteder que não há ganhos sem perdas parece lógico, mas o lobo do medo que há em mim firma suas presas na imensidão dos meus pensamentos. A confusão se espalha, deixando cada parte dos meus nervos em alerta. E agora? Encontrar uma fresta de luz para solucionar a equação inexata em que me encontro pode ser a saída. Distinguir o certo do errado quando o certo parece errado e o errado certo é difícil e a dificuldade causa o êxtase que aciona o lobo enjaulado. Sinto a reação da ação dos meus passos lentos em direção ao não ser. É dolorido não ser. Talvez a chave da porta de ferro não esteja do lado de fora. Talvez as persianas não precisem ser abertas agora. Talvez o lobo precise de mais tempo para se acalmar. Me perco na extensão do talvez. Continuo no caminho em voltas de mim.

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