domingo, 3 de maio de 2009

O rochedo do sono é tão fechado

O Rochedo do sono é tão fechado,
tão pedra de Esaú, tão existido,
que ele cumpre na vida um grande fado,
- o de acolher um Édipo impunido.

Sempre em seu bojo há um anjo adomercido
e um menino num poço debruçado;
o cão noturno late, e o seu latido
é o grito do menino já afogado.

À noite barba-azul dormingo joga
sete princesas pálidas no poço,
e o poço voracíssimo as engole.

E engole indiferente quem se afoga,
- sete pedras atadas ao pescoço
que pedra e amor é o mesmo no seu gole.

Jorge de Lima

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